A História do Fado Português: um Símbolo e Património Nacional
Todos os portugueses sentem o Fado. Faz parte da nossa identidade e é algo que não se consegue explicar, que se sente. Por isso queremos dedicar este artigo à descoberta da história do Fado.
A palavra “Fado” deriva do latim e significa “destino”, o que diz muito da sua sonoridade melancólica e da sua profundidade. O Fado expressa uma grande variedade de emoções fortes: amor e desamor, nostalgia, saudade… mas também alegria e humor.
Onde e quando nasceu o fado?
No que diz respeito à sua origem, existem várias teorias. Há quem defenda que o Fado nasceu dos cânticos mouros, enquanto outros apontam para influências medievais. Também se especula que as suas raízes possam estar na modinha, um género musical popular nos séculos XVIII e XIX, que terá evoluído através da fusão com o lundu, uma dança e expressão musical de origem angolana.
O que sabemos com maior certeza é que foi no coração de Lisboa que o Fado começou a ser cantado, na década de 1820, nos bairros populares da Mouraria, Alfama e Bairro Alto. Surgiu num ambiente marcado pelas tabernas, pelos marinheiros, pelos trabalhadores e pela vida boémia da cidade.
No seu começo o Fado possuía um carácter popular e, por esse motivo, foi muitas vezes rejeitado pelas elites intelectuais da época. Com o passar do tempo, porém, foi conquistando reconhecimento e assumindo um papel cada vez mais relevante na sociedade portuguesa, através do teatro, dos festivais de música e de diversos eventos culturais.
Entre as décadas de 1940 e 1960, o Fado viveu os seus anos dourados, alcançando uma enorme popularidade através da rádio, do cinema e da televisão.
Amália Rodrigues
Na década de 1950, o Fado cruzou-se com aquela que viria a tornar-se um dos maiores símbolos de Portugal: Amália Rodrigues. Reconhecida como a grande embaixadora do Fado, Amália elevou este género musical a um novo patamar artístico e levou a sua sonoridade aos quatro cantos do mundo.
O Fado depois do 25 de abril de 1974
Durante o período da ditadura, o Fado foi frequentemente associado ao regime, o que contribuiu para alguma desvalorização e controvérsia após a Revolução de 25 de Abril de 1974. No entanto, com a consolidação da democracia, este género musical recuperou o seu prestígio e passou a ser amplamente reconhecido como uma das mais importantes expressões da identidade cultural portuguesa.
A partir dessa altura, o Fado deixou de ser motivo de divisão e consolidou-se como um património de todos os portugueses. Surge uma nova geração de artistas, alguns diretamente ligados ao Fado e outros influenciados pela sua sonoridade, como António Variações ou José Mário Branco.
Desde então, têm surgido grandes nomes que continuam a afirmar o Fado em Portugal e no estrangeiro, como Camané, Mariza, Carminho, Gisela João, Raquel Tavares e muitos outros interpretes.
Esta foi uma partilha de curiosidades sobre o Fado, um dos mais valiosos legados da cultura portuguesa. Mais do que um género musical, o Fado traduz a alma, a identidade e as emoções do povo português. Para descobrir mais sobre Portugal, a sua cultura, história e os nossos programas, entre em contacto com a nossa equipa.
